sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Inauguração do Arquivo Edgard Ellen Roche tem confusão e ameaça de polícia

(com colaboradores)

A intervenção do grupo Artístico-Terrorista Pimentas Maledetti, dissidência do grupo Artístico-Terrorista Papoulas Gustativas (por seu lado, dissidência do grupo Artístico-Terrorista Bola de Sebo/Paquerinha), na inauguração do Arquivo Edgard Ellen Roche na tarde de sexta-feira, 13 de novembro, foi mal recebida pelos organizadores da festa. A cerimônia acontecia conforme o planejado e o ensaiado: homenagens e mais homenages, discursos e mais discursos, vez ou outra entrecortado por gritos de "contratação de funcionários" por parte dos integrantes do Paramento Estudantil, que também portavam cartazes de "Fora do Haiti", "Fora do Timor", "Fora Zelaya" (este, um lapso do paramento estudantil, que confundiu o nome do presidente hondurenho golpista com o deposto). Enfim, tudo seguia conforme o script até a hora de baixar o pano da placa de inauguração. Nessa, sentindo falta de uma trilha sonora adequada à situação, um dos integrantes do grupo Papoulas Gustativas pegou seu saxofone e tocou Kenny G. O efeito foi imediato, a comoção foi geral. Era possível ver lágrimas nos olhos do vice-reitor, Dondocca, ou do ex-Reitor da Universidade, atual municipal de educação, gincanas, policiamento infantil e estímulo à depressão docente, que lá estava com sua habitual cara de Papai-Noel dublê de Leonardo Bofe.
Porém, a singela homenagem do Pimentas Maledetti, denominada "373+", começou a degringolar logo em seguida. Enquanto um do integrantes subiu na bancada - causando revolta de alguns presentes, por ter diminuído o espaço para os comes e bebes - para declamar um longo poema sobre o Arquivo e os arquivados e os arquivistas e os arquivadores, Xelim resolveu ter um surto e começou a gritar "Fogo" e jogar pedaços de fita magnética no chão. Um tumulto se iniciou. Tentaram segurá-lo, ele saiu correndo para fora do arquivo. Voltou gritando e pulando ainda mais ensandecido. O guarda do Zé Colméia tentou intervir, mas não conseguiu agarrá-lo. Felizmente alguém tinha uma camisa de força e conseguiram imobilizá-lo. Mais calmo, foi levado para fora ao som da marchinha Cuidado se o Edgard pegar fogo.
Tanto o prof. dr. Mr. Bean-Anqui, chefe do Arquivo, e a profa. dra. Naja Fatah se mostravam claramente indignados com a intervenção: "é uma pouca vergonha! Onde está a moral, onde estão os bons costumes?", questionava Bean-Anqui. Naja Fatah foi além e falou que aquilo era "caso de polícia" (veja entrevista abaixo).
Para espanto de muitos - da Equipe Trezenhum, inclusive - o Paramento Estudantil aprovou a iniativa. Muitos até ameaçaram ir atrás do grupo ao fim da intervenção para cumprimentá-los, mas desistiram diante da possibilidade de perderem a boquinha livre (que era, afinal, o principal motivo deles estarem ali).
Trezenhum perguntou à grande estrela do evento, o assessor especial da presidência da república bananeira para assuntos internacionais, nacionais, estratégicos e desestratégicos, Tito Lívio Garcia, o que tinha achado da intervenção, mas ele respondeu que fora chamado ali única e exclusivamente para falar do Arquivo Edgard Ellen Roche. Questionado, então, sobre o que achava da sala com seu nome, se disse surpreso e muito feliz, e completou: "uma puxada de saco sempre faz bem, não é? Tanto para mim quanto para os professores que puxaram, que certamente ganharão um bônus na sua bonificação FEPESP. Já conversei com o coronel Brota-Cruzes sobre isso".
A Equipe Trezenhum não conseguiu localizar os integrantes do Papoulas Gustativas para uma entrevista, uma vez que eles foram embora e nós é que não íamos perder a boquinha livre (afinal, agüentamos toda aquela cerimônia chata só por causa disso. Ainda que tenhamos sido agraciados com essa inesperada intervenção).

"Inauguração na Faculdade das Humanas está virando caso de polícia"
Para a professora dra. Naja Fatah, chefe da Faculdade das Humanas, a "desfeita" do Grupo Artístico-Terrorista Papoulas Gustativas à solenidade traz à tona o problema da não presença da polícia no pastus.
TZN: No início vossa senhoria pareceu se emocionar com a homenagem do Papoulas Gustativas ao arquivo Edgard Ellen Roche.
FATAH: Claro, quem é que não se emociona ouvindo Kenny G.? Eu sempre me emociono. Ainda mais que há apenas duas semanas atrás eu estive escutando essa música em uma outra solenidade muito importante para mim, que foi o casamento da minha cachorrinha Pepe com o meu cachorrinho Totó. Ai, foi tão lindo! Pepe estava linda toda branca! Ainda bem, porque deu um trabalho do cão descolorir ela inteirinha [Pepe é uma poodle preta, agora uma poodle loira oxigenada].
TZN: Mas por que vossa senhoria desgostou depois da homenagem?
FATAH: Porque aquilo foi uma pouca vergonha. Tirar a roupa em locais inapropriados, onde já se viu?
TZN: Mas ninguém tirou a roupa.
FATAH: Ah, não? Mas não é o grupo que sempre tira a roupa?
TZN: Eles tiraram uma vez só, para o Celso Zé.
FATAH: De qualquer forma, é um desrespeito, uma desfeita quebrar protocolo de inauguração, ainda mais em frente de personalidades tão importantes como Dondoca, o vice-reitor, e o Tito Lívio Garcia. Isso pode comprometer nossa imagem e o bônus que nos foi prometido pode ser bloqueado. É uma pouca vergonha o que eles fizeram! A solenidade ia tão bem até o Kenny G. Mas depois...
TZN: Vossa senhoria pensa em tomar alguma atitude?
FATAH: Olha, não sei, preciso conversar com o professor dr. Mr. Bean-Anqui, que está ali, no canto, se remoendo de raiva, como vocês podem ver. Mas eu acho, que na minha opinião, era o caso de chamar a polícia. Só não chamei porque esqueci meus celulares em casa. Senão eu teria chamado. Mas, no fundo foi bom isso ter acontecido. Isso vai fazer aflorar um debate sério no pastus. Porque inauguração na Faculdade das Humanas está virando caso de polícia. E nós precisamos discutir a necessidade de polícia no pastus, para manter a ordem, os bons costumes, a moral, todos esses pré-requisitos necessários ao bom andamento das pesquisas. Por que esse pessoal não fez como os demais do Paramento Estudantil, que não fez nada além do que nós autorizamos?

Para Chicletenta, o Paramento Estudantil se sentiu vingado
A presidente do CASH, Casinha Acadêmica de Sociais e História, Chicletenta, o Paramento Estudantil se sentiu vingado com a intervenção do Papoulas Gustativas:
TZN: No início você pareceu se emocionar...
CHICLETENTA: E como não se emocionar com Kenny G.? Pois saiba que no fundo deste peito revolucionário bate um coração!
TZN: Depois você, como todo o resto do paramento estudantil, pareceu gostar ainda mais da intervenção.
CHICLETENTA: É verdade. Nos sentimos vingados.
TZN: Vingados?
CHICLETENTA: Sim. Porque queríamos estar fazendo uma super-manifestação. Tipo assim, com carro de som e milhares de pessoas portando as bandeiras da revolução. Mas fomos impedidos.
TZN: Por quem?
CHICLETENTA: Pelo prof. dr. Mr. Bean-Anqui, que é meu orientador. Ele falou que se fizéssemos isso não teríamos acesso ao cófi-breiqui. Tudo o que nos esteve permitindo foi o que estivemos fazendo. É certo que só esteve faltando o carro de som, mas mesmo assim, não admito ingerência externa no paramento estudantil!
TZN: Mas vocês conseguiriam reunir milhares de pessoas?
CHICLETENTA: Claro que sim! Está duvidando do nosso poder de mobilização?

Ausência do Guardião dos Armários da Faculdade é motivo de boatos
A ausência do guardião dos armários da Faculdade, grande camarada revolucionário-verborrágico da Faculdade das Humanas e funcionário do antigo Arquivo Edgard Ellen Roche, foi motivo de muitos comentários na inauguração do novo arquivo. Uma série de boatos corriam de boca a boca com justificativas para a ausência. As três mais aceitas eram, na ordem: 1) Ele havia recebido um bônus ou uma viagem para Porto Seguro para não comparecer à inauguração, uma vez que, presente, não conseguiria ficar sem discursar; 2) Ele fora seqüestrado para não estar presente na inauguração e acabar miando a festa; 3) Botaram um sossega leão na Cueca Cuela que sempre o acompanha nas suas leituras de Marx, e ele sossegou durante o dia todo.

O que é o Arquivo Edgard Ellen Roche
O Arquivo Edgard Ellen Roche é uma parte da Faculdade das Humanas, que funcionava embaixo das escadas da Faculdade e que agora se cissipou em um novo prédio. Trata-se do principal arquivo de materiais anarquistas, anarcóides, libertários e libertinos do país que ainda não foi consumido pelo fogo. Na nova sede o Arquivo Edgard Ellen Roche será também, como frisou o professor dr. Mr. Bean-Anqui, hotel para os libertários revolucionários de passagem pelo pastus. O único problema é que se começar um incêndio, quem estiver dentro do prédio vira churrasquinho, junto com todo esse material.

Campanha Toca The Who
Trezenhum, entrando no clima para mais uma edição ultra-rebelde Rebeld's Stock, a festa dos mais rebeldes dentre os mais rebeldes, e diante do marasmo que assola o rock e o público de rock, carente crônico de criatividade (é retrô atrás de retrô, e nada de novo desde o Sigur Rós, o Mogwai e o Pato Fu), lança uma campanha em substituição ao já cansado "Toca Raul". Trezenhum propõe uma frase um pouco diferente a ser gritada nessas horas divertidas e criativas em que o público interage com a banda: "Toca The Who". É tão ruim quanto, mas ao menos é diferente, convenhamos.
Então, fica nosso pedido aos nossos desocupados leitores rebeldes e nossas descocupadas leitoras rebeldes que estiverem presentes no Rebeld's Stock, em caso de vontade de se exprimir para a banda, gritem "Toca The Who".

??? Dúvida TZN
A dúvida TZN desta edição é se há alguma explicação científica para o fato de todas as patricinhas da Faculdade das Humanas serem marxistas revolucionárias.
Um caro camarada nosso da Faculdade das Humanas falou em "afinidades eletivas", seja lá o que isso significa.

Nota da redação: Muita coisa

E pouco tempo. Por isso tanta coisa de fora (sem maliciar a frase, por favor, que até os Papoulas Gustativas agora são bem comportados).

Nota da redação: Sexta-feira 13
Porque nós somos do mal!


Esta edição contou com o patrocínio de...

Festa da luz vermelha
A festa mais assassina da universidade
Traga seu revólver e sua lanterna e vamos limpar a cidade dos maus elementos!
(Promoção: Milícia 9 de Julho e Movimento Todos pela Universidade)


Trezenhum. Humor sem graça. Nº 59.
Todos os esquerdos reservados. Na ausência destes o uso é livre (mas ideológico). www.trezenhum.blogspot.com