sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Pichações misteriosas na Av. pra Universidade causam revolta nos alunos de bem

Uma série de pichações surgiram misteriosamente na av. pra Universidade e têm causado um sentimento de revolta muito grande entre os alunos de bem da Universidade. A revolta para com o que tem sido chamado de "ato de vandalismo e violência extrema" tem servido de combustível para reerguer a cambalida Milícia Nove de Julho, praticamente desativada desde o surgimento do movimento Todos Pela Universidade (TZN49).
Alguns dos alunos de bem - geralmente integrantes do movimento Todos Pela Universidade - já começar a discutir formas de retaliação e reação a "esse ato hediondo". Além do tradicional linchamento, ganha força a defesa do pau-de-arara para descobrir quem realmente foram os pichadores: "o pau-de-arara tem a vantagem que mesmo que o cara for inocente, está inibindo ações futuras desse tipo de estarem acontecendo", justifica F. Gados, uma das que defende a volta da Milícia Nove de Julho (que em consenso dentro da ETZN é bonitinha mas se mostra ordinária).
Dentre os suspeitos está o integrante do grupo Papoulas Gustativas, Xelim. A suspeita recai sobre ele por conta da pichação em defesa do amor-erótico ejaculatório "é importante o amor-porra". Isso porque durante a eleição para o CASH, ano passado, Xelim fez uma série de cartazes da sua chapa, a Cornucópia Espermática do Capital, inspirados em Pollock, ou seja, com porra. Ele, porém, nega que esteja por trás dessa ou de qualquer outra pichação: "nem por trás nem pela frente", ressalta, e completa: "não sou de ficar anunciando o fim do capitalismo, que o paraíso comunista está próximo, ou qualquer merda do gênero". Também suspeita-se do Movimento Afirmação da Negação e do CRUJ (Comitê Revolucinário Ultra-Jovem), que sequer se sabe se realmente ressuscitou. Porém ganha cada vez mais força que quem pode estar por trás desses "atos abomináveis" seja a recém fundada e ainda não devidamente divulgada Liga da Justiça. A Liga da Justiça seria um movimento formado por integrantes radicais do Paramento Estudatil, da LEIR-DSM5 (Lesão por Esforço Intelectual Reduzido - DSM5), e um setor revolucionário dissidente da Abu-Seita Cristã. Não se descarta a participação de pessoas ligadas a partidos políticos. "É por isso que eu digo que qualquer pessoa cuja participação política esteja indo além de estar votando nas eleições deveria ser proibido de exercer funções públicas, muito menos de usufruir de dinheiro público em universidade públicas", espuma, indignado, o aluno Vetor Mundi, da Faculdade das Humanas. Contudo, ele ressaltou que não é contra o vandalismo: "sou totalmente favorável a vandalizar a cara desses *#$%%@# de !$@&#* duma *&@%#& que só sabem @*#%@! o *$#%@ da !$%@&. Porra!" Por fim disse que já disponibilizou seu taco de beisebol para as retaliações, e que já desconfia qual é o carro de um dos suspeitos: "não vai estar sobrando nada dele", disse, sem especificar se falava do carro ou do dono.

Para ideólogo é preciso ter bom senso e agir racionamente
Para o professor da Faculdade das Tias e principal ideólogo do Movimento Todos Pela Universidade, o Professor Doutor Didi Parreira Bergos, a frase do militante Vetor Mundi não deve ser levada a sério. Leia a seguir breve entrevista dada por MSN:
TZN: Vetor Mundi falou em vandalizar a cara e o carros dos pichadores, o que o senhor tem a dizer sobre?
Didi: Veja bem, é preciso estar distinguindo duas coisas. Uma coisa é vandalizar a cara desses criminosos, o que é justo. Outra, é vandalizar a propriedade alheia, o que é um ato hediondo, não resta dúvida.
TZN: Então o Movimento Todos Pela Universidade não endossa a fala do seu filiado.
Didi: Veja bem, é preciso estar prestando atenção às condições em que tal frase esteve sendo dita. Nosso irmão Vetor Mundi certamente falou isso de cabeça quente, não se deu conta que estava falando besteira. Conheço ele pessoalmente, sei que é assim, nunca se dá conta. E posso afirmar que não só os integrantes do Movimento Todos Pela Universidade como todos os alunos de bem, todos os cidadãos de bem rejeitam com veemência o desrespeito para com a propriedade humana, ainda mais contra os automóveis, tão importantes na nossa sociedade, para distinguir os vencedores dos perdedores [pára um tempo, pensativo, quer dizer, achamos que pensativo]. A não ser, claro, que o Vetor Mundi saiba que os carros desses criminosos sejam uma carroças, uns pau-velhos. Aí tudo bem.
TZN: Então não há uma rejeição total à idéia?
Didi: Não, não há. Claro, não vamos estar aceitando ela de cara, dita de cabeça quente. Mas depois de pararmos e ponderarmos à luz da razão, do bom senso e da moral, poderemos ter uma posição definitiva. Isso, claro, no caso dos carros. No de vandalizar a cara dos criminosos, é óbvio que isso é até uma necessidade social.

"Amanhã é dia de discutir a Faculdade das Humanas"
Um cartaz há dez dias pendurado na Faculdade das Humanas dizendo que "amanhã é dia de discutir a Faculdade das Humanas" tem conseguido paralizar ainda mais o paralizado e paralizante Paramento Estudantil da Faculdade.
O que a princípio parecia ser uma mais chamado para uma frutífera conversa entre pessoas que pensam igual e falam sempre a mesma coisa, é na verdade uma tática posta em prática pelo Conjunto dos Conjuntos para pôr em (mais) xeque o Paramento Estudantil. Inspirado na idéia de "Fiado só amanhã", o cartaz tem produzido o efeito esperado, criando uma expectativa enorme sobre tal discussão, sempre adiada para o dia seguinte. A., um dos cabeças do Conjunto dos Conjuntos diz que a inspiração, contudo, foi um pouco mais elevada: "tive a idéia enquanto lia Kafka". Do outro lado, R., do PSTI, diz que mal pode esperar pela discussão: "está todo mundo estando interessado nessa discussão, que certamente vai estar mudando os rumos da nossa Faculdade", diz eufórica como criança (antiga) esperando o gorducho da Coca-Cola no Natal. Em conversas em off, a ETZN pode conferir que tal expectativa é geral entre integrantes de todas as correntes revolucinárias do instituto. Até o guardião dos armários da Faculdade, já perto de se aposentar, caiu nessa e espera pela discussão sobre a Faculdade.

Trezenhum acusado de anti-científico e anti-acadêmico
em mais uma demonstração de oposição ao Trezenhum, o conjunto dos conjuntos, grupo de reação anti-trezenhúnica, lançou um documento acusando Trezenhum de anti-científico e anti-acadêmico. A acusação se dá principalmente por conta da campanha Mais calçadas, menos estacionamentos: "a ciência só faz perguntas que ela sabe responder, onde há resposta. A campanha mais calçadas, menos estacionamentos mostra que esses apedeutas não entedem nada de ciência, logo, de universidade". O documento diz ainda que Trezenhum é anti-acadêmico por pretender ser crítico do que não se critica: "um acadêmico de verdade só critica o que sabe que pode e deve ser criticado; o atraso na bolsa, se for de direita; fora lula e o fmi, se for de esquerda; honduras livre, se for microcéfalo". A ETZN tentou entrar em contato com um dos líderes do Conjunto dos Conjuntos, mas nossas ligações só caíram na caixa postal e ele não os respondeu os SMS.

Quem é o Conjunto dos Conjuntos
Surgidos das brumas de um mar calmo em dia de revolta por conta do El Niño - resposta da natureza à matança das baleias jubartes em época de acasalamento -, o Conjunto dos Conjuntos é uma organização contra-revolucionária contra-conservadora e contra-contra-contra. Inspirados em Kafka, Rubem Fonseca e no Pink e Cérebro, dizem que seu primeiro objetivo é combater a procrastinação de segunda linha promovida pelo Trezenhum. Sem dúvida, o movimento anti-TZN mais forte desde o Movimento Revolucionáo Kurt Cobain, nos idos anos da temporada 2007 da Greve (TZN<10).

Bandejão inova uma vez mais
Depois de apresentar pratos diferentes, geralmente só oferecidos no Restaurante Seletivo, como carne de avestruz e lesma à moda caipira (foto), versão pobre para lumache alla lombarda, o Bandejão voltou à velha forma de criar nomes diferentes e sugestivos para pratos velhos conhecidos. O caso mais grave aconteceu na quinta, dia 22, em que foi oferecida "carne nutritiva", nome inqualificável para carne moída com batata. Conforme Trezenhum apurou, o nome foi criado pelo sobrinho da Chefe do Bandejão, que ofereceu a ele o cardápio da referida casa de pasto para treinar seus aprendizados do curso de publicidade (como na semana dos nutricionistas, também conhecida por semana da comida boa, ela abre espaço para seu nôno cantar funi culi funi culá e la bela polenta).

Nota da redação: Em defesa da ciência e da academia
Trezenhum rejeita a acusação feita pelo Conjunto dos Conjuntos de que somos um grupo anti-científico e anti-acadêmico. Tal opinião só pode ser parte de um plano para nos desmoralizar e se embasa em visões parciais, recortadas conforme os interesses em questão - os quais, admitimos, ainda não sabemos. O Conjunto dos Conjuntos passa por cima, por exemplo, da nossa enorme contribuição para a ciência e para a pesquisa científica com nossa seção Teses Bizarras - as quais, se estão paradas, é por falta de colaboradores. O que Trezenhum faz é tão somente noticiar os acontecimentos do pastus da Universidade, com a maior imparcialidade possível. No caso mais específico que gerou a acusação: se não há calçadas onde há pedestres somos nós que estamos equivocados por perguntar onde elas deveriam estar? Talvez o Conjunto dos Conjuntos imagine que o erro é os pedestres caminharem onde não lhes é oferecido local para tanto - o que poderia ser encarado como um ato de rebeldia, inclusive.
Que fique aqui claro, portanto, que a Equipe Trezenhum não se intimidará diante dessas intimidações, e responderá tais acusações levianas sempre que julgar necessário, e não sempre que forem feitas.

Esta edição contou com o patrocínio de...

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Trezenhum. Humor sem graça. Nº 58. Todos os esquerdos reservados. Na ausência destes o uso é livre (mas ideológico). www.trezenhum.blogspot.com