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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Homenagem muito louca ao muito louco do Celso Zé sacode Faculdade das Humanas

(com colaboradores)
Homens nus, sexo, imolações, drogas, poesia e mijada histórica de Celso Zé marcaram o evento. Foi também o lançamento do Movimento A Plenos Bundões e do Departamento dos Estetas Marcel Duchampignon
Uma homenagem feita pelo grupo Artístico-Terrorista Bala de Sebo/Paquerinha, em parceria com alguns outros grupos sacudiu a Faculdade das Humanas no início do mês. Junto com a homenagem foi feito o lançamento do Departamento dos Estetas Marcel Duchampignon e do Movimento A Plenos Bundões. Conforme nos contou Celeste, um dos líderes do grupo, a idéia era "libertar a Faculdade dos ismos nervosos e dos istas ressentidos", promovendo para tanto "uma soltura geral dos intestinos da galera", e complementa: "a idéia de aproveitar a vinda do famoso ator Celso Zé foi para dar mais visibilidade ao nosso lançamento. Ele, na verdade, foi apenas uma desculpa".
Tanto assim foi que no início dos atos que marcaram a inaguração do Departamento, esqueceram o Celso Zé no auditório da Faculdade (acompanhado, é bom ressaltar), enquanto o grupo, acompanhado do maracatu do Movimento Afirmação da Negação, lavava as escadarias da faculdade com sal grosso e simulava a imolação de um veado - interpretado por um aluno que não soube interpretar um veado imolado a contento. "A idéia de ser um veado foi para ver quem seriam os idiotas que fariam piadinhas idiotas e manjadas, ou quem levaria a sério demais e nos chamariam de homofóbicos", comenta Celeste. Foi na hora da imolação do veado que Celso Zé voltou à cena. Já devidamente saciado, trajado (ele, assim como oito integrantes do Bala de Sebo/Paquerinha ficaram nus durante a homenagem) e com sua bagagem de mão à mão, ele perguntava pela saída, quando, não resistindo à curiosidade, foi ver o que era aquela aglomeração junto ao banheiro masculino, doravante chamado Departamento dos Estetas Marcel Duchampignon. Celso Zé disse que estava decepcionado com que estava vendo: "isso não é um veado sendo imolado, é um cordeiro!", e deu dicas ao jovem ator de como um veado faz, salientando as diferenças para um cordeiro e para uma galinha.
A seguir, Celso Zé foi instado a romper o hímen que fechava a entrada do Departamento dos Estetas, o que ele fez com razoável carinho, para delírio da galera. Já dentro do Departamento a homenagem prosseguiu com a leitura de uma série de poemas por homens nus envoltos em fumaça ilegal. Se espremiam no banheiro 143 pessoas, entre integrantes do grupo e espectadores.
Por fim, já com muita gente muito doida - e não só o Celso Zé -, a inauguração prosseguiu com o maracatu maracutando pela Faculdade, causando irritação de alguns alunos, e a festa de outros, que não conseguem se lembrar o que aconteceu a partir daí.

Participação da Afirmação da Negação causa certa estranheza
Causou certa estranheza a participação do Movimento da Afirmação da Negação, grupo leninista-trotskista-stalinista que há muito inferniza várias universidades do estado. Foram eles os responsáveis pelo maracatu, o que, convenhamos, conseguiu conduzir a situação de modo que o homenageado fosse esquecido. Questionado o porquê do apoio ao lançamento do movimento A Plenos Bundões, um dos grandes intelectuais do Movimento Afirmação da Negação, professor Maloit, não conseguia articular palavras conhecidas, por conta do seu estado. Já o camarada-Sol, ex-orientando dele e outro expoente da facção de oposição do Movimento Afirmação da Negação, não compreendeu nossa pergunta. Explicamos dizendo que o Movimento a Plenos Bundões era libertar a Faculdade dos ismos nervosos e dos istas ressentidos, como eles, mas mesmo assim ele achou nossa pergunta por demais complexa e perguntou se podia levar ao conselho antes de nos responder. Dissemos que sim e aguardamos a resposta desde então - eles nos disseram que estão discutindo o caso.
Xelim, integrante do Bala de Sebo/Paquerinha, diz que não vê contradição na participação da Afirmação da Negação: "precisávamos de algum grupo para fazer barulho, e as baterias da Universidade, são ligadas ao Grupo Público Ltda. S/A e cobram um cachê muito alto". Indagado se fora muito difícil a negociação para participar de um ato que visava criticar justo grupos como o Movimento Afirmação da Negação, negou peremptoriamente: "eles não entenderam nada. Dissemos que éramos contra, e antes que conseguíssemos dizer contra o que eles aceitaram tocar para a gente. De graça!".

Bala de Sebo/Paquerinha tem se especializado em tomadas de banheiros
O grupo Artístito-Terrorista Bala de Sebo/Paquerinha tem se especializado em tomadas de banheiros. Antes do banheiro da Faculdade das Humanas eles já haviam causado muita polêmica na Faculdade das Tias (procure aí do lado num dos TZN velhos), por não só ocuparem os banheiros da Faculdade para fins outros que não aqueles lhe são destinados (legal e ilegalmente), como por saírem deles nus, correndo pela Faculdade como Deus (ou o Diabo, conforme visão dos segmentos mais conservadores) os pôs no mundo (só um pouco mais crescidos).
Em breve entrevista Glad, integrante do grupo, disse que eles já estão fazendo cursos de autocad e trocando experincia com alunos da Faculdade dos Engenheiros com Arquitetos e Urbanistas (FECAU), de modo que em breve, ele espera, as tomadas de banheiro sejam tão eventos artísticos como o urinol de Duchamp.

Faculdade das Humanas alvo de processo
Não foi só parte da Aglomeração Feminista (pequena, é verdade. A ala ultra-radical, para sermos mais exatos) que ficou indignada com a homenagem muito louca ao muito louco do Celso Zé. Para as integrantes da Aglomeração "aqueles homens nus foram uma falta de respeito: estavam fora de forma, com barriguinhas ridículas que nós não somos obrigadas a ver!", disse M, da Faculdade dos Bichos. P, da Faculdade das Humanas, foi ainda mais longe: "me diga, para que serve um pinto? Vamos? Vocês homens são ridículos!"
Como dizíamos, além de algumas integrantes da Aglomeração Feminista, mais pessoas ficaram revoltadas com o que viram. Mas essas pessoas foram além do discurso e agora a FAculdade das Humanas responde por dois processos. Um deles, de um aluno da Faculdade das Letras, por a Faculdade ter permitido o uso de entorpecentes no seu interior (Celso Zé fumou uns três baseados, pelo menos, durante sua fala); outro, movido por duas alunas da Faculdade dos Artistas, por atentado violento ao pudor (não sabemos de quem, se do Celso Zé, dos integrantes do Bala de Sebo/Paquerinha ou da própria Faculdade).
Advogados consultados pela Equipe Trezenhum disseram que tais processos são risíveis e que não acreditam que vai dar em nada, salvo os processantes se tornarem alvo de chacotas.

Grupo Bala de Sebo/Paquerinha "quase" vence disputa para o CASH
Para professora da Faculdade vitória da chapa Cornucópia Espermática do Capital poderia causar surto entre alunos integrantes do paramento estudantil
Se enganou quem achou que o Grupo Artístico-Terrorista Bala de Sebo/Paquerinha estava satisfeito com o Movimento A Plenos Bundões e com Departamento dos Estetas Marcel Duchampignon. Na semana seguinte à homenagem ao Celso Zé, o grupo lançou uma chapa para a Casinha Acadêmica de Sociais e História (CASH), a Cornucópia Espermática do Capital, composta por um único integrante, Xelim, e cujas propostas foram expressas em uma folha em branco.
Um membro da Equipe Trezenhum foi deslocado para a Faculdade das Humanas para cobrir tanto o debate quanto a eleição para a Casinha Acadêmica. Ele relata que a chapa, de início tida por "brincadeira de um maluco aí", causava forte apreensão na sexta-feira, último dia da eleição, quando a sua vitória era clarividente. Em breve passagem pela Faculdade na sexta à tarde o nosso repórter pode constatar que um clima de pânico dominava todos os rincões da Faculdade, os quais estavam ocupados por integrantes do paramento estudantil - fossem da chapa do PSTI (Partido dos Super-Trabalhadores Indignados), fossem da do P-LUA - pregando o voto na chapa do PSTI contra o que eles denominavam de fascistas. E iam além, afirmavam que Xelim e seu grupo queriam tomar o poder deles no CASH, para dali, aproveitando da relevância nacional da referida Casinha Acadêmica, assumir a presidência da república, e promover um extermínio racial e cultural em todo o país. "Como o Hitler! como o Hitler!", como berrava histérica uma integrante do PSTI.
Vendo a manifestação de sua colega, Xelim comentou ao Trezenhum que "eles [do paramento estudantil organizado] estão doidos, perderão totalmente a noção. Cara, se existe anarco-leninista-stalinista, como um integrante da juventude do PSTI, não há anarco-fascista, e eu estou muito mais para defensor da anarquia do que da ordem e do homem-gado. Na verdade, além de sexo todo dia (toda hora, de preferência) eu não defendo mais nada". Ele também lamentou que haviam arrancado os cartazes de apoio à chapa, como o cartaz do Trezenhum, além de outros quatro, "que eu fiz com minha própria porra, cara! Depois da eleição eu queria levar e mostrar pra minha mãe!".
Amnésia Marron, psicanalista e professora da Faculdade disse que temeu pela integridade de todos, até saber o resultado da eleição: "não se tratava apenas de um choque por conta dessas pessoas sofrerem de TOC (transtorno obsessivo compulsivo), como vocês bem notaram, mas eu temia por um surto coletivo de pânico, caso não vencessem".
E a vitória não foi nada fácil. No fim da tarde a chapa do P-LUA discutia se poderia abdicar dos seus votos em favor da chapa do PSTI, mas não encontraram brecha no regulamento para a consumação do ato. A alternativa foi, então, cercar a urna, de forma a impedir que alguém que fosse votar na Cornucópia Espermática do Capital votasse, e fazer uma contagem minuciosa dos votos. Com isso, 29 e votos foram anulados por não terem preenchido corretamente o x na cédula. Foram anulados um dos votos dado para a chapa do PSTI, outro para a chapa do P-LUA e 27 para a Cornucópia Espermática do Capital. "Fomos justos. Quem manda esse bando de pelego, esse bando de fascista, que nunca vota e por isso não sabe marcar corretamente o x na cédula?", dizia Chicletenta, integrante do PSTI, que afirmou que o processo foi ilibado: "até nós tivemos votos anulados". A comemoração pela vitória foi, contudo, contida. Todos os presentes se deram as mãos, cantaram "Amigos para siempre" e "A internacional" e se embebedaram sem muito alarde. Conforme Chicletenta, foi escolhido comemorar assim para não que fosse confudida com as propostas da chapa pretensamente fascista.
Quanto a Xelim, ele havia partido da Faculdade, da Universidade e da cidade no meio da tarde e, portanto, não acompanhou a apuração. Por sms ele disse que pretendia passar pelo menos dez dias longe, pois temia pela sua integridade física: "sabe como é, para eles fascista bom é fascista morto".
O Hospital da Universidade registrou quatro internações por problemas decorrente de estresse extremo ou síndrome do pânico de alunos oriundos da Faculdade das Humanas na sexta à tarde.

E-navigation, do Grupo Público Ltda. S/A vence a eleição para o DFE
Como de costume, a eleição teve tanta novidade quanto jogo do Timão este ano

Diante da história eleição para o CASH a eleição para o DFE (Diretório Formal dos Estudantes) até perdeu a graça e o interesse. Como todos sabem desde o ano passado, ganhou a chapa ligada ao Grupo Público Ltda. S/A, E-navigation, que, como o próprio nome diz, vai insistir um ano mais na modalidade de mobilização virtual. Em rápida entrevista, uma integrante nos alegou que "ainda que o Second World não tenha dado certo, como imaginávamos com a chapa do ano passado, a Tc até a manhã, ainda há o Orkut, e vocês são a prova viva de que, uma vez lá, qualquer besteira, por pior que seja a qualidade, ganha audiência", ao que respondemos que não sabemos se besteiras repetidas teriam a mesma repercussão que as besteiras inéditas que publicamos. Ela disse ainda que essa vitória foi para "lavar a alma, depois da espinafrada que tomamos na disputa pela vereança".
Sobre a união P-LUA com o PSTI, levantada por muitos e noticiada no TZN37 (se não nos falha a memória. Se nos falha, foi no TZN36), ela disse que o PSTI não tinha condições financeiras de arcar com as luvas necessárias para ingressar no Grupo, e que o capital por eles investido não dava direito a ações ON: "mas eles já possuem uma pequena parte das nossas ações PN". Ela, contudo, não quis nos dizer quanto.
De qualquer forma, deixamos registrado que teremos por mais um ano a presença marcante, alegre, simpática, humilde, delicada, inteligente do camarada Biboka, que se reelegeu coordenador geral do Grupo Público Ltda. S/A e, como conseqüência, será presidente por mais um ano do DFE.

Verdes indignados com Trezenhum
Ainda bem que Trezenhum é um grupo de humor pirata e temos nossa identidade secreta, igual o Clark Kent. Trezenhum foi duramente criticado por parte dos verdes da Universidade, na reunião de balanço da Terceira Semana Brócolis da Universidade, como conferimos in loco. I, da Faculdade das Tias, chorava copiosamente por ter descoberto que o feijão do bandejão possui caldo de carne: "eu dizia para todo mundo que estava há quatro anos sem comer carne, sem pôr nada que fosse derivado de animal na boca, e agora, como fico?". Já G, da Faculdade das Humanas, era puro sangue nos olhos: "quem são esses filhos da p***! Desde quando eles podem quebrar nossa fé, assim, do nada, sem pedir licença e sem perguntar se queríamos saber a verdade ou não? Vamos descobrir quem eles são e empalá-los!". Uma das organizadoras da semana, aluna da Faculdade dos Engenheiros, que na edição passada nos dera uma entrevista se negou a falar conosco, disse que precisava se solidarizar com o grupo, que, atônito, não acreditava que comiam carne há tanto tempo e não sabiam.

Integrante do Trezenhum queima o arroz
Um integrante da Equipe Trezenhum deixou queimar o arroz enquanto revisava a edição 39 de Trezenhum. Humor sem graça. Revoltado, ele diz estar disposto a deixar passar a próxima edição com os erros tipográficos.

Nota da redação: DFE 2009
Já conhecido dos leitores de Trezenhum desde que causaram na Faculdade das Tias, o Grupo Artístico-Terrorista Bala de Sebo/Paquerinha dá um passo adiante na porra-loquice anti-normopata da Univesidade com o lançamento do Departamento dos Estetas Marcel Duchampignon e da chapa para o CASH, Cornucópia Espermática do Capital. Trezenhum, que convocou todos os alunos da Faculdade das Humanas que não sofriam de TOC a votarem nela, agora convoca Xelim, Celeste, Glad e demais integrantes do Grupo Artístico-Terrorista Bala de Sebo/Paquerinha a prosseguirem com suas ações em 2009, tirando a roupa sempre que for inesperado, interpretando peças que atentem contra os bons-costumes e disputando a eleição para o DFE 2009. Desde já garantimos nosso apoio, caso tais alternativas sejam levadas a cabo.

Erramos: é com humildade e a consciência do dever cumprido que declaramos que cometemos um pequeno lapso no TZN38. Anunciamos a foto do novo teatro da Faculdade dos Artistas, mas por trapalhadas técnicas a mesma não estava presente. Pois eis elas. Agradecemos ao camarada J por elas (já que o inútil da Equipe Trezenhum presente no dia não tem máquina digital):



Trezenhum. Humor sem graça. Nº 39. Todos os esquerdos reservados. Na ausência destes o uso é livre (mas ideológico). www.trezenhum.blogspot.com

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Lançada a pedra fundamental da Faculdade de Engenharia Filosófica

Aos que imaginavam que as conseqüências da greve encerravam com a demissão do secretário de educação, comércio, turismo e controle de zoonoses, Zé Pinóquio, causou surpresa o lançamento, quinta-feira, da pedra fundamental da Faculdade de Engenharia Filosófica. Surpresa que não acompanhou os leitores de Trezenhum, é bom ressaltar, que já estavam informados do furo por nossas atentas e prestativas leitoras.
A idéia de um desmembramento da filosofia do resto das humanas vinha há tempo e ganhou vulto com a greve, como demonstrou, por exemplo, a instituição da Assembléia Paralela Revolucionária da Filosofia, que pretendia realizar a revolução verdadeira conforme a coisa-em-si presente no mundo das idéias.
O cabeça do movimento, o professor doutor Mutley - um simpático dono de uma simpática risada -, professor da filosofia, explica a necessidade de desmembramento: "É preciso admitir a especificidade da filosofia, nós estamos muito acima desses reles mortais, ignorantes, burros, imbecis, violentos, anti-democráticos e bárbaros. Nós somos filósofos!" Questionado sobre o porquê de ser engenharia filosófica e não somente filosofia, o autor do Best-Seller Refute Zenão em um jogo de futebol foi direto ao ponto: "Porque nós precisamos de dinheiro e precisamos mostrar que somos úteis para consegui-lo. Já estou quase me aposentando e até hoje minha mãe pergunta o que faz um filósofo! Agora veja se alguém pergunta o que faz de diferente um engenheiro de alimentos de um nutricionista." Ele se recusou a comentar qual seria a utilidade de um filósofo ou um engenheiro filosófico.
A Faculdade de Engenharia Filosófica tem unido os mais diversos matizes ideológicos; desde a direita, com o Movimento Filosófico Anauê-Brazil pela Exterminação dos Nordestinos e dos Judeus, até a esquerda, com o Movimento Afirmação da Negação. M..., integrante deste e mestrando da lógica (principal reduto do movimento), explica como foi possível tal aproximação: "Precisamos ser maduros, hoje na política é assim: primeiro a gente entra na dança, depois a gente muda ela. Trata-se de um passo necessário para a revolução", e completa: "precisamos aprender a perdoar. Com a FEFi nunca mais um filósofo irá rasgar cartazes, pois estaremos preocupados com ações mais nobres".
Conforme Trezenhum apurou, contudo, a FEFi está com dificuldades para achar um local para se instalar: quiseram ir para o Olimpo, mas a medicina recusou; as engenharias também recusaram, por achar a engenharia filosófica uma pseudo-engenharia; química e física, por não considerarem-na uma ciência verdadeira; a única faculdade que mostrou certa compaixão foi a de artes, através do departamento de circo e humor pastelão, que ofereceu a parte vaga do depósito de debaixo da escada, desde que no fim do ano seja realizado um "jogo dos filósofos" igual ao do Monty Python. O problema é que a Faculdade das Humanas também não quer a filosofia de volta, por considerarem-na uma pseudo-humanas: "tem muito homem para pouca mulher", resume Maomé, professor da sociologia, com passagem pela engenharia (não filosófica).
O lançamento em si da pedra fundamental da Faculdade de Engenharia Filosófica, que os filósofos preferiram chamar de "pedra filosofal", não foi livre de problemas e confusões. Como a pedra era muito grande e pesada, o professor doutor Mutley optou por dividi-la em doze pedaços, uma para cada um dos demais presentes - professores, alunos da graduação e da pós. Dividida a pedra, o professor doutor Mutley ficou ao centro, coordenando toda a ação com citações em grego de Aristófanes (ele admitiu depois que esqueceu o discurso e só lembrava de Aristófanes no momento). Feito o lançamento, foi preciso chamar a segurança do pastus para evitar brigas entre eles e os alunos das sociais, pois no lançamento da pedra filosofal vários vidros do centro acadêmico e da empresa júnior das sociais foram quebrados, deixando cinco pessoas feridas pelos estilhaços, e uma com um corte na testa, ao ser atingida diretamente por uma pedra.
Questionado sobre o porquê do ato tomar essa forma, E..., do Movimento Filosófico Anauê-Brazil pela Exterminação dos Nordestinos e dos Judeus, disse que a idéia original era fazer do lançamento da pedra filosofal "um estouro", mas a bomba explodiu antes do tempo. "Graças à Deus, desta vez ninguém perdeu o dedo ou se machucou. Só a empregada lá de casa sofreu queimaduras de terceiro grau no rosto, mas ela é negra".
Após o ato, os filósofos, carregados de tochas e foices, foram até o Moon-Clean comemorar.


Professores da filosofia reagem negativamente
Não são todos os professores da filosofia que simpatizam com a idéia da fundação da Faculdade de Engenharia Filosófica. Segundo o professor Lorde: "Eu sempre digo que filósofo é tudo caipira!". Professor Ostrogodo foi na mesma linha: "É uma faculdade de nível canavial! Desejam uma faculdade de engenharia filosófica, mas sequer temos teologia. Uma universidade não pode ser assim denominada se acaso não possua uma faculdade de teologia!". Questionado, o professor Salin manifestou sua opinião escarrando no chão (quase acertando o pé da vice-diretora da Faculdade com o ato) e assoando o nariz na mão.

Biblioteca promete ser fonte de divergência
Professores das ciências sociais não vêem problema com a saída da filosofia da Faculdade, muitos acham que vai ser até bom, "porque limparemos nossa faculdade desses direitosos burgueses", conforme o professor Spaceships. Mas avisa: "a biblioteca não terá um livro a menos com a saída da filosofia! Inclusive, um grupo de professores encaminhou uma proposta ao reitor para que os livros só possam ser retirados por alunos da própria faculdade."

Reitor abstém-se de comentar
O reitor absteve-se de comentar. Segundo ele, uma rebelião dos professores estava pondo em risco todo o seu jogo no SimUni-2007.

Quem é professor doutor Mutley
Professor doutor Mutley é o simpático dono de uma simpática risada. Seu grande plano de vida é se tornar o Kant nacional, por isso nunca saiu da cidade em que nasceu - poucas vezes foi muito longe do pastus, vale ressaltar. Isso já lhe custou a vaga de centro-avante no time da Macaca-Louca, importante equipe da cidade. Exímio costureiro, também é famoso pelos animados serões que organiza em sua casa, para trocar pontos de crochê. Graduou-se, mestrou-se e doutorou em filosofia na universidade em que hoje leciona (dizem que pretende casar nela também). Como doutorado defendeu a revolucionária tese A influência do cultivo da cana-de-açúcar na elaboração do mundo das idéias em Platão. Além do best-seller Refute Zenão em um jogo de futebol, professor doutor Mutley também é o autor de Se fosse eu e não Górgias, Sócrates estaria perdido, e da referência mundial Breve e introdutório estudo sobre o capítulo I do livro I da Física de Aristóteles, um pequeno tratado de quase 1500 páginas em que ele analisa o referido capítulo do referido livro do referido autor, e compara traduções em 73 línguas diferentes, para chegar à humilde conclusão de que a sua não é a melhor versão do texto: "Talvez Aristóteles tenha conseguido se manifestar melhor".

Nota da redação: Trezenhum não tem nada a dizer
Isso mesmo, nada.


Trezenhum
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